Paciência com argentinos tem limite”, diz presidente da CNA
A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, cobrou hoje (18/2) uma posição firme do Ministério das Relações Exteriores em relação a supostas irregularidades comerciais praticadas pelo governo argentino em detrimento dos produtores de leite brasileiros. A suspeita principal é de que a Argentina esteja importando leite da União Européia e vendendo ao Brasil por preços inferiores aos valores pagos aos pecuaristas do País, instrumento conhecido como dumping, que ocasionou crescimento de mais de 100% das compras de produtos lácteos do país vizinho em janeiro, podendo inviabilizar a produção nacional.“O excesso de paciência que o governo tem prejudicado vários setores da nossa economia, mas tudo isso tem limite e este limite não é a vontade de um presidente ou chanceler, mas do empresariado e da sociedade. Não estamos dispostos a aceitar isso em detrimento dos interesses do Brasil”, afirmou Kátia Abreu. “Se a Argentina atravessa hoje um período de seca e suas exportações são para pagar as contas, é preciso saber de onde está saindo tanto leite”, completou o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Rodrigo Alvim.
O Ministério da Agricultura sinalizou a implementação, até o final do mês, da Linha Especial de Comercialização (LEC) para o leite, por meio de portaria interministerial. Ontem, ocorreu leilão de PEP, quando foi negociada subvenção a 51 milhões de litros dos 200 milhões ofertados, 25,5% do total. Do Sudeste, sairão 44 milhões de litros e do Centro-Oeste, 7 milhões. Também foi ofertado subsídio ao produto do Sul, mas não houve procura. O superintendente de operações da Conab, João Paulo Moraes Filho, atribui a falta de interesse à reação do preço. Na última semana, o valor médio do litro estava em R$ 0,53, enquanto o preço mínimo é de R$ 0,47.
Mercado do boi gordo volta a trabalhar em ambiente firme
A pressão de baixa perdeu força em todo o País. Em São Paulo as escalas não evoluem e quando acontece, aumentam em somente um dia. Hoje estão atendendo, em média, 4 dias e existem frigoríficos com escalas de somente 2 dias, o que confirma a oferta restrita e a dificuldade de comprar animais.
Preço da arroba do boi reage no Sul com menor oferta uruguaia
O preço da arroba do boi no extremo Sul do País está se aproximando do nível das cotações paulistas - praça referência - nesse começo de ano. A seca que atinge o Sul do Brasil, e também os vizinhos Uruguai e Argentina, é a principal causa dos preços firmes naquela região, embora, segundo pecuaristas, ainda não haja falta de boi gordo gaúcho a ser ofertado.
Em Pelotas, no Rio Grande do Sul, a arroba do boi valia R$ 79,50 na última sexta-feira 26) - reação de 6% desde o primeiro dia de janeiro deste ano. Em São Paulo, os preços do boi gordo alcançaram os R$ 83 a arroba na sexta-feira, queda de 4,6% no mesmo período, segundo a Scot Consultoria.
Varejistas querem comprar cortes com osso de abatedouros e atacadistas, desagradando frigoríficos e criadoresSupermercadistas abriram uma polêmica com frigoríficos e pecuaristas ao solicitar à Secretaria de Agricultura a revisão das normas de entrada de carne bovina no Rio Grande do Sul.